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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A decisão do TAS - Alberto Contador

Hoje saiu a tão desejada decisão sobre o caso que opunha a AMA e a UCI ao ciclista Alberto Contador.
Sem tempo para ler a decisão com atenção, parece que o Tribunal Arbitral do Desporto, não condenou com base no pedido da AMA e UCI, mas terá condenado noutra possibilidade de dopagem, para justificar a existência de Clembuterol.
Tal decisão foi, pelas reacções nos jornais espanhois e pelas diversas páginas da Internet, absolutamente surpreendente.
Curiosamente, não é para mim.
Aliás, parece que as soluções surpreendentes passam pelas considerações tecidas pelo Laboratório de Colónia, questionando-me sempre porque podendo o TAS pedir outras opiniões, não se dirige aos restantes Laboratórios - receio pela fiabilidade ou infiabilidade dos outros laboratórios, receio pelas considerações cientificas contrárias....
A retroactividade da pena é questionável para todos, igualmente para mim não é.
Curioso é o facto de dois dos mesmos árbitros terem retroagido a pena de suspensão para o passado, alegando em sentença de um caso em que participei, que tal situação não poderia ser aplicada analógicamente para outros casos...mas passados dois anos, a retroactividade aplicou-se.
Voltarei ao assunto, do mero ponto de vista jurídico, pois desportivamente, é indiferente o resultado a que se chegou: para os aficionados quem ganhou foi Contador, ou seja, fica para Schleck a obrigação de vencer na estrada e ganhar a notoriedade, porque vitórias na secretaria, ninguém quer.
Esta questão não acaba só aqui: a UCI em comunicado, já questiona a continuidade da equipa de Contador, por não ter os pontos necessários para fazer parte da grande irmandade que é o Pro-Tour...outras questões, outras polémicas....
A procissão vai no adro...

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Parece que um dos três objectivos vai mesmo ser concretizado

Museu Nacional do Desporto criado com doações dos clubes
por Lusa Ontem

O novo Museu Nacional do Desporto vai começar a funcionar em Lisboa, no primeiro semestre de 2012, reunindo o atual espólio desportivo público e doações dos clubes, anunciou hoje o secretário de Estado do Desporto.

"É necessário que também ao nível do desporto tenhamos acesso à investigação para depois termos conhecimento. O conhecimento também produz riqueza e empregos", justificou Alexandre Mestre, acrescentando que paralelamente será criada, como apoio, uma Biblioteca Nacional do Desporto.

Segundo o governante, o novo museu vai funcionar em Lisboa, no Palácio Foz, Restauradores, e está aberto à doação de troféus e equipamentos por parte de todos os clubes nacionais, nas várias modalidades, que já estão a ser contactados pela secretaria de Estado do Desporto e da Juventude.

À margem de uma visita oficial a Viana do Castelo, Alexandre Mestre acrescentou que a coleção do museu será ainda constituída pelo acervo público que estava depositado no Complexo Desportivo da Lapa, espaço que desde 2009 "já nem pertencia ao Estado".

"Tinha uma piscina por baixo, em condições climatéricas muito más para a preservação desse acervo. Tivemos rapidamente que o ir recuperar e evitar que se deteriorasse, demonstrando o interesse público", explicou. O propósito será tornar o novo espaço visitável, como ponto de atração "para dar a conhecer o passado glorioso do desporto" nacional, garantiu ainda.


Noticia da Lusa de ontem

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Em nome do pai - Um amor que parte mas não morre

No dia 26 de Dezembro de 2011 partiu para junto do Senhor o meu pai - Isidoro de Oliveira Albino.
È com saudade e com tristeza que lhe presto esta minha homenagem.
Só ele faz quebrar o meu silêncio e a pausa que fiz no escrevinhar deste blogue.
Decorridos dois meses e meio do diagnóstico fatal - cancro das vias biliares - o meu pai perdeu na luta contra a doença.
Era um homem que amava a vida e o desporto.
Foi ciclista na sua juventude e envergou as cores do Sporting e do Bombarralense, mais tarde, dinamizou durante algumas épocas, equipas de ciclismo amador, com o patrocínio da sua firma e algumas outras marcas.
Fez parte dos orgãos sociais da Associação de Ciclismo de Lisboa e foi comissário regional de ciclismo.
Ainda jovem, partiu para Africa - Moçambique - onde cumpriu serviço administrativo na Marinha.
Foi funcionário da administração pública, mais tarde funcionário de uma empresa de tintas - Pintex , até que em Abril de 1974 se estabeleceu por conta própria na sua Drogaria Malhangalene.
A independência de Moçambique trouxe-o de volta a Portugal em Agosto de 1976.
Deixou o seu património, teve que arregaçar mangas,sem nada e com a ajuda da minha mãe, que era enfermeira, comprou um trespasse de uma mercearia, para em 1977 fundar com um seu antigo concorrente em Moçambique uma empresa em Torres Vedras - a " Polifer", onde se dedicou ao comércio de tintas e afins, a sua área de predilecção.
Lutaram e prosperaram.
Viveu intensamente a sua vida, por vezes com excesso, mas sempre com uma honestidade, determinação e espírito de iniciativa admiráveis.
Como filha, tive um pai exigente, mas em simultâneo alegre e brincalhão.
Via nos seus dois netos uma alegria imensa.
Partiu no conforto do lar, acompanhado por mim e pela sua companheira de quase 20 anos, com amor, tranquilidade e oração.
Agora, só posso testemunhar o meu amor por ele.
Até sempre, querido Pai.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O primeiro de três objectivos - A questão do Museu do Desporto

Retomando um propósito que havia enunciado no meu anterior "post", gostaria de começar a opinar, pois este blog não tem outra função, sobre o primeiro dos três objectivos a alcançar e que segundo o Secretário de Estado do Desporto, fariam sentir-se realizado.
A questão do Museu do Desporto, é louvável, pois sendo questão antiga, o que fazer com um espólio que se encontra reunido em más condições de conservação e que ao fim ao cabo não está na disponibilidade de quem queira conhecê-lo.
È digno de respeito este objectivo, mas a questão que se coloca é a seguinte:
Em que termos será pensado este Museu do Desporto? Qual o público alvo a que se destina? Será integrado na rede nacional de museus? Ficará sob a tutela da Secretaria de Estado da Cultura? do Desporto? Qual a dimensão do mesmo?
Na realidade, são todas estas questões que gostaria de ver respondidas e infelizmente a entrevista do Secretário de Estado é omissa.
Como cidadã deste país, estou um pouco saturada de ouvir falar em projectos que, quando não se realizam geralmente são justificados pela falta de condições financeiras.
O projecto do Museu do Desporto, ficará circunscrito a um público alvo, os estudantes, no âmbito dos ensinos básico e secundário e os do ensino universitário que tenham o Desporto como finalidade do seu curso.
Depois existirá um outro público, que já praticou ou ainda pratica qualquer modalidade desportiva e um público residual, aquele que visita museus qualquer que seja a sua temática.
Não se tenha ilusões que tal museu vá ter uma grande afluência de público ou que vá ser auto-suficiente nas suas receitas.
È por isto que relativamente a este objectivo, em que é honroso preservar uma memória de factos e acontecimentos desportivos se tenha que ter em conta, que o Museu do Desporto, não pode ser um projecto megalómano.
Conservar o património é urgente, procurar canalizar a ajuda de diversas entidades é premente, procurar encontrar algum "sponsor" não será descabido, mas sobretudo ter em mente que, a dimensão do Museu terá que ter em conta o público alvo a que se destina e este será de reduzida dimensão.
Nos governos anteriores, houve sempre a tentação de deixar grandes obras que se revelaram grandes sorvedouros de dinheiro, com dispêndio de recursos, aos quais não houve retorno, veja-se o caso dos estádios do Euro 2004, os centros de alto rendimento...
Não tenha pois o Secretário de Estado a tentação de criar outro pequeno monstro, se bem que o tempo é de vacas magras.
E porque não abrir concurso de ideias para a criação e dinâmica do Museu à comunidade escolar, quer a do ensino básico e secundário, quer à universitária, quer à comunidade desportiva, sempre se poupariam recursos em vez de atribuir tal tarefa a arquitectos, designers de renome que, com seus honorários levam quase a maior fatia do investimento?
A propósito do tema, remeto os leitores que se dignam ler o que escrevo, para uma outra leitura: http://desportoeeconomia.blogspot.com/2011/11/o-museu-do-desporto-nao-morreu.html.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

A entrevista do Secretário de Estado do Desporto ao jornal " Record"

Quem me conhece sabe que tenho sincera estima pelo nosso secretário de estado do desporto, Dr. Alexandre Mestre.
De quem tenho estima, alegro-me com os seus êxitos e sofro com seus desaires.
Não se pense pois que ao vir comentar a sua entrevista, a qual não vi em suporte de papel, mas naquilo que nos é dado a ler on-line estou a vislumbrar desaires na sua actuação...nem lhe desejo isso em termos pessoais e como cidadã quero o melhor na governação.
Mas Alexandre Mestre saberá já e bem, que não vai ser fácil a sua actividade governativa: não são só as contingências económicas actuais, não são os buracos financeiros, nem as facturas não processadas que o impedirão de trabalhar...
Mais profundamente ele sabe que os obstáculos, não serão os meios financeiros mas os humanos.
È dificil ser leal, é dificil ser disponível para o outro, quando os objectivos são diversos.
È louvável quando o secretário de estado enaltece os seus trabalhadores, quando reconhece que são poucos para tanto trabalho, mas porventura saberá que tais funcionários já serviram outros senhores, que aquilo que criticam ou rejeitam do passado, foi por eles na altura conhecido...e a esses nenhuma responsabilidade é assacada.
Não quero com isto dizer que tais funcionários públicos devam ser responsabilizados, ou não tenham mérito...ao contrário, as coisas andam, avançam com eles...mas para isso têm que ter bons dirigentes.
O Dr. Alexandre Mestre tem capacidade para liderar um grupo, fazer o que se propõe fazer, e como tal não dúvido que após os Jogos Olímpicos, iniciará um novo ciclo na sua governação...Tempo suficiente para arrumar a casa...
Gostaria que a sua actividade tivesse sido mais incisiva, esperariamos mais audácia, antecipação do futuro, ou um discurso mais inflamado, mas o que vislumbramos, tal como ele disse, foi a resolução, ou tentativa, dos problemas "micro", com a postura controlada de mostrar que sabe bem o que quer e que vai ser alvo de crítica frequente.
Antes que me perca nas palavras, voltarei àquilo que me interessa na entrevista dada.
Respondeu o Secretário de Estado:
"
R – Daqui por quatro anos como gostava de ver o Desporto em Portugal?

AM – Gostava de ver resolvida a questão do Museu do Desporto, que neste momento está fechado, com um espólio enorme mas guardado em condições precárias, com uma piscina por baixo, e isso pode colocar em causa a sua manutenção.

Também espero que os números do eurobarómetro mostrem que há mais portugueses a praticar desporto de forma regular.

Outra preocupação é a justiça desportiva. Temos de criar um tribunal do desporto que possibilite menos conflitualidade e respostas mais céleres e baratas na justiça desportiva."

Foi esta pergunta e resposta que me fazem aqui escrever.
Daqui a 4 anos, o secretário de estado quer ver resolvida a questão do Museu do Desporto, a prática mais generalizada do desporto pela população e a criação do tribunal desportivo.
Haverá pois muito para fazer...se o conseguir ficarei feliz, se tal não suceder, os obstáculos não serão os financeiros, mas os humanos.
Num outro post...direi porquê.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O RJFD e a oportunidade de alteração legislativa

Foi notícia :

"O secretário de Estado do Desporto e da Juventude, Alexandre Mestre, considerou hoje não ser o “momento político oportuno” para que ocorram alterações ao Regime Jurídico das Federações Desportivas (RJFD), apesar de considerar que há questões “que devem mudar”."


Estou completamente de acordo, mudar uma lei à pressa nada resolve, todavia, será sempre oportuna a fiscalização do IDP, junto das Federações, ou será que não chega ao mesmo as denúncias das diversas irregularidades, veiculadas na comunicação social, ou directamente ao IDP?
Na verdade, quando em vários blogs tomo conhecimento de irregularidades de algumas Federações, estou completamente certa que os orgãos dirigentes, actuam descaradamente a coberto da lei e violando-a ou interpretando a seu bel-prazer.
Todas as situações denunciadas colidem com a impunidade de tais dirigentes, que perpetuam os seus mandatos no tempo ou engendram a sua sucessão de forma a que nada mude e se continue a actuar como um feudo.
Há nitida falta de transparência em muitos aspectos da vida federativa e quem fica prejudicado não são só os desportistas, é todo um país, que contente da vida não se questiona, não reclama, não pede contas....
Se o RJFD só deverá ser alterado após o ciclo olímpico que termina em 2012, é todavia, tempo das instituições ligadas ao desporto, começarem a pensar nas alterações, num regime menos " futebolistico" e que tenha em conta as especificidades de cada modalidade.
Na verdade, o futebol impera e é triste ouvir-se numa audiência de julgamento num Tribunal de Trabalho, um juiz constantemente tratar o ciclista por jogador, numa completa ignorância até das especificidades do contrato desportivo....é pois urgente começar a trabalhar e pedir sugestões para as alterações, junto de quem vive de perto cada modalidade federada e não entregar a uma qualquer comissão que proceda à alteração do Regime de uma forma quase secreta, sem auscultação dos principais intervenientes de todo o movimento federativo - os desportistas.